Entenda como usar flashcards como método de estudo

Mesa com flashcards

Os flashcards não são novidade. O primeiro registro do formato remonta a 1834, quando a educadora inglesa Favell Lee Mortimer criou um conjunto de cartões fonéticos para ensinar leitura.

Décadas depois, a técnica ganhou o formato que conhecemos hoje. Isso aconteceu na década de 1970, com o Sistema Leitner, criado pelo jornalista alemão Sebastian Leitner.

Ele organizava os cartões em caixas, conforme o nível de domínio do conteúdo. Já no Brasil, os flashcards ganharam popularidade nos últimos anos, puxados pelos aplicativos de estudo. Por isso, hoje professores e estudantes usam a técnica tanto em sala de aula quanto na revisão individual.

O que são flashcards?

Flashcards são cartões de estudo com uma pergunta, um termo ou uma imagem de um lado, e a resposta correspondente do outro. O princípio é simples: você tenta lembrar a resposta antes de virar o cartão.

É justamente essa tentativa que já ativa a memória. Por isso, essa lógica funciona para praticamente qualquer disciplina.

Um estudante que se prepara para o Enem, por exemplo, pode usar flashcards para memorizar fórmulas de física e datas históricas. Por outro lado, para o professor da educação básica, o mesmo formato serve para fixar sílabas, tabuada ou vocabulário com a turma.

Os benefícios de estudar com flashcards

A eficácia dos flashcards não é opinião, é evidência científica. Em um estudo publicado na revista Psychological Science, os pesquisadores Henry Roediger e Jeffrey Karpicke compararam duas formas de estudar o mesmo conteúdo.

Um grupo apenas releu um texto. O outro grupo fez testes de recuperação da memória sobre esse mesmo material. O resultado mostrou que quem foi testado lembrou significativamente mais depois de alguns dias.

Isso acontece porque tentar lembrar de uma informação fortalece a conexão da memória. Reler, por outro lado, costuma dar uma falsa sensação de domínio do conteúdo.

Veja como usar flashcards em 5 passos

Flashcards na tela do tablet

Ter os cartões prontos é só metade do caminho. A forma como você organiza as revisões é o que garante a retenção a longo prazo. Assim, vale seguir um passo a passo simples para aplicar a técnica com consistência:

1. Defina o que irá estudar

Antes de criar os cartões, escolha um recorte específico do conteúdo e delimitado, como “Era Vargas”. Recortes menores facilitam a criação de perguntas objetivas, pois cartões genéricos demais costumam exigir respostas longas.

Além disso, definir o tema com clareza ajuda a dimensionar o trabalho, pois o aluna já sabe se vai precisar de 10 cartões ou de 40. Isso evita interromper o estudo no meio da criação por falta de planejamento.

Para o professor, esse recorte também facilita a divisão do conteúdo por aula. Dessa forma, cada encontro pode fechar um bloco específico de cartões.

2. Escolha a ferramenta para elaborar os flashcards

Para quem prefere o digital, o Anki é referência entre estudantes e concurseiros. A ferramenta é gratuita e gera automaticamente o intervalo entre as revisões, conforme o seu desempenho em cada cartão. 

Esse algoritmo ajusta automaticamente o intervalo entre as revisões, conforme o seu desempenho em cada cartão. Em contrapartida, a curva de aprendizado do Anki é um pouco maior.

Isso acontece porque a criação dos cartões é manual e a interface é menos intuitiva no início. Por outro lado, o Quizlet resolve bem esse ponto.

Se a preferência for o papel, fichas de cartolina como as da linha Tilibra são uma boa opção. Outra alternativa, é imprimir em ofício e plastficar para aumentar a durabilidade.

E se você for uma pessoas critativa, também vale criar os seus próprios cartões a mão, pois a escrita manual favorece a fixação do conteúdo, já que exige mais esforço cognitivo do que digitar.

Assim, o material fica mais resistente ao manuseio diário. Isso é importante já que os cartões costumam ser guardados na mochila e revisados em qualquer lugar.

Vale lembrar que a plastificação também ajuda quem reutiliza os mesmos cartões por meses. É o caso do estudante que revisa o mesmo conteúdo até a data do Enem, ou do professor que usa o material com turmas diferentes ao longo do ano.

3. Monte um checklist de revisão espaçada

Uma forma simples de aplicar a repetição espaçada, mesmo sem aplicativo, é adaptar o Sistema Leitner com caixas ou envelopes separados. Para isso, divida os cartões que você já domina dos que ainda costuma errar.

Os cartões que você acerta seguem para uma caixa com revisão mais espaçada, feita a cada uma ou duas semanas. Já os que você erra voltam para a caixa de revisão diária, até que o conteúdo esteja de fato consolidado.

Dessa forma, você concentra o tempo de estudo exatamente onde ainda existe dificuldade. Esse checklist pode ser simples, feito à mão em uma tabela ou em um aplicativo de anotações.

4. Marque na agenda quantos minutos de estudo por dia

Sessões curtas e frequentes funcionam melhor do que maratonas de revisão na véspera da prova. Isso acontece porque a memória se consolida com o tempo entre uma exposição e outra ao conteúdo.

Por isso, um bom ponto de partida é reservar entre 15 e 20 minutos por dia, exclusivos para a revisão de flashcards. De preferência, sempre no mesmo horário. Esse tempo costuma ser suficiente para revisar entre 20 e 30 cartões, dependendo da complexidade do conteúdo.

Ainda assim, vale ajustar essa duração conforme a proximidade da prova (caso esteja se preparando para uma).

5. Se mantenha constante

Gráfico mostrando a curva de aprendizado dos flahscards

Por fim, a consistência importa mais do que a quantidade de cartões ou o aplicativo escolhido. Um estudante que revisa 15 minutos por dia, todos os dias, tende a reter mais conteúdo do que alguem que revisa duas horas uma vez na semana.

Como você pode ver no gráfico acima, é exatamente a quantidade de revisões espaçadas que fortalecem o aprendizado.

Por isso, o ideal é tratar a revisão como um hábito, e não como uma tarefa extra. Assim, mesmo nos dias mais corridos, alguns minutos com os flashcards já bastam para manter a constância.

Conclusão

Em resumo, os flashcards não substituem o estudo aprofundado do conteúdo, mas funcionam como um reforço poderoso para fixar o que já foi aprendido. Usados com constância, eles ajudam tanto o estudante quanto o professor.

Portanto, o próximo passo é colocar em prática. Escolha um tema, monte seus primeiros cartões e teste por uma semana, ajustando o método conforme sua rotina.

Se você quer ir além dos flashcards, confira também outros conteúdos do Rumo ao Saber.

Nadiane Santos

Jornalista e infoprodutora com mais 5 anos de produção de conteúdo para web. Compartilho aqui, conteúdos e materiais com base na minha experiência com reforço escolar e tutoria particular.

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