
A palavra origami vem do japonês, formada pelo prefixo “oru”, que significa dobrar, e pelo sufixo “kami”, que significa papel. Ainda assim, a origem exata da técnica é incerta.
Foi só no século XIX, porém, que a dobradura entrou de fato para o universo escolar. Isso aconteceu com o alemão Friedrich Froebel, criador do movimento kindergarten, que incluiu jogos e dobraduras no cotidiano das crianças pequenas.
Desde então, a técnica se espalhou pelo mundo e hoje é usada em escolas de educação infantil no Brasil inteiro, tanto para trabalhar a coordenação motora quanto para introduzir noções de geometria e organização espacial.
O que é origami?
Origami é a arte de dobrar papel para criar figuras, sem usar cola ou tesoura. Já a dobradura é um termo mais amplo, que engloba o origami e outras formas de trabalhar o papel dobrado em sala de aula.
Por isso, a própria BNCC menciona a dobradura como uma das linguagens da educação infantil. A habilidade EI03TS02 trata da expressão livre por meio de desenho, pintura, colagem, dobradura e escultura.
Na prática, isso significa que o professor pode usar dobraduras simples, como barquinhos, aviões e animais. Por outro lado, para turmas com mais autonomia, modelos mais elaborados, como flores e cisnes, também entram no repertório.
Vale destacar que não é preciso dominar o origami tradicional para começar, pois modelos simples, com poucas dobras, já bastam para trabalhar a técnica com crianças pequenas.
Os benefícios de usar origami
Os benefícios do origami não são apenas percepção de quem trabalha em sala de aula. Um estudo da Universidade Estadual de Campinas, publicado na revista científica Pensar a Prática, avaliou 40 crianças de 5 e 6 anos.
Metade delas participou de 23 sessões de origami ao longo de 23 dias, enquanto a outra metade formou o grupo de controle. Antes e depois do período, todas passaram por um teste padronizado de coordenação motora fina.
O resultado foi expressivo: 89% das crianças do grupo que praticou origami terminaram o estudo com idade motora superior à cronológica, contra 55% no grupo de controle.
Ou seja, a prática regular de dobradura acelerou o desenvolvimento motor fino das crianças de forma mensurável. Além disso, a prática também mostrou benefícios de concentração, socialização e desenvolvimento raciocínio lógico.
Veja como aplicar origami em 5 passos

Incluir o origami na rotina não exige formação específica em artes. Basta seguir alguns cuidados simples para que a atividade renda os benefícios esperados pela turma:
1. Escolha o modelo certo
O primeiro passo é avaliar quantas dobras a turma consegue acompanhar sem se frustrar. Para crianças bem pequenas, modelos com duas ou três dobras já bastam, como um barquinho ou um chapéu simples.
Conforme a turma ganha prática, é possível aumentar aos poucos o número de dobras, o que evita que a atividade vire fonte de frustração logo nas primeiras tentativas.
Vale lembrar que o objetivo não é a perfeição do modelo final, pois o que importa é o processo de seguir a sequência e desenvolver a coordenação ao longo do caminho.
2. Prepare o material
Papéis quadrados de origami facilitam bastante o trabalho, já que dispensam a etapa de recortar o formato antes de começar. Na falta deles, qualquer folha sulfite cortada em quadrado funciona bem.
Para crianças pequenas, prefira papéis um pouco mais grossos, pois eles seguram melhor o vinco e resistem a mais tentativas sem rasgar.
E se a escola não tiver papel de origami disponível, revistas ou papel de presente também funcionam, desde que a criança consiga dobrar sem rasgar. Separar o material antes da aula evita interrupções no meio da atividade.
3. Demonstre o passo a passo
Antes de pedir que as crianças façam sozinhas, mostre o modelo completo sendo dobrado, de preferência bem devagar. Assim, elas conseguem observar cada movimento antes de reproduzi-lo com o próprio papel.
Depois da demonstração, retome uma dobra de cada vez, aguardando que a turma acompanhe você. Esse ritmo evita que as crianças mais lentas fiquem para trás logo nas primeiras dobras.
Para os alunos com mais dificuldade, vale repetir a demonstração de perto, guiando as mãos quando necessário, já que essa ajuda pode ser reduzida aos poucos, à medida que a criança ganha confiança.
4. Relacione com outras disciplinas
Aproveite os modelos para reforçar conteúdos que já estão sendo trabalhados em sala. Um origami de animal, por exemplo, pode abrir espaço para uma conversa sobre habitats ou sobre o ciclo de vida das espécies.
Já modelos geométricos ajudam a introduzir noções de formas, simetria e frações, de um jeito concreto e visual, o que é especialmente útil para crianças que ainda não têm domínio total da linguagem escrita.
Dessa forma, o origami deixa de ser uma atividade isolada e passa a dialogar com outras disciplinas, reforçando o caráter interdisciplinar previsto no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil.
5. Repita e varie os modelos
Por fim, o único encontro com origami dificilmente gera os benefícios observados em pesquisas como a da Unicamp, pois o ganho de coordenação motora aparece justamente com a repetição ao longo de várias semanas.
Como mostra o próprio estudo, foi a repetição ao longo de 23 sessões que resultou no avanço da coordenação motora das crianças. Por isso, vale manter uma frequência regular, ainda que curta, como uma sessão semanal de 20 a 30 minutos.
O ideal é variar os modelos aos poucos, aumentando a complexidade conforme a turma evolui. Essa variação também mantém o interesse das crianças, que com o tempo passam a pedir para repetir dobraduras que já dominam.
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Conclusão
Em resumo, o origami vai muito além de uma atividade lúdica para preencher tempo em sala de aula. Ele une desenvolvimento motor, raciocínio lógico e socialização em uma única prática, respaldada por pesquisa e alinhada às habilidades previstas na BNCC.
Por isso, vale experimentar com a turma, começando por modelos simples e ajustando o ritmo conforme a resposta das crianças. Pequenos ajustes ao longo das semanas já são suficientes para colher os primeiros resultados.
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